Review Livro: Utopia

Esses dias eu tive de resenhar esse livro para um trabalho do curso. Na verdade, o professor nos deu uma lista de outros incríveis, mas este me chamou a atenção só pelo nome. Eu o li em três dias, apesar de ser relativamente complexo, mas é porque ele realmente me encantou.

Vou apresentar pra vocês a minha rápida resenha de como ele seria, alguns poucos pontos do que eu achei interessante e a principal crítica que ele expõe. Lembrando que esse é um livro de caráter filosófico e histórico, e o seu autor foi um grande estudioso da sociedade, Thomas More.

O autor de Utopia, Thomas More ou Thomas Morus, no latim, nasceu em Londres no dia 07 de fevereiro de 1478 e morreu aos 57 anos em julho de 1535. Foi um diplomata, religioso fervoroso, escritor, advogado e homem de estado que ocupou vários cargos públicos, entre eles, o mais importante em 1529 a 1532 de “Lord Chancellor” (Chanceler do Reino) de Henrique VIII da Inglaterra. Em 1494, Thomas passou a estudar leis na Inglaterra, mas dividido entre a carreira jurídica e a vocação religiosa, resolveu morar um tempo no mosteiro dos monges cartuxos, onde adquiriu a severa disciplina religiosa.

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Utopia foi publicada em 1516 e obteve um grande sucesso, pois através da obra, Thomas critica as normas do sistema político da sociedade inglesa da época, através de uma comparação com a sociedade fictícia e aparentemente perfeita para todos os homens. Nesse período, Thomas ainda estava a serviço do rei e ficou até 1518, quando se tornou membro do Conselho Privado Real. Em 1521, foi condecorado como cavaleiro, e dois anos depois, passou a presidente da Câmara dos Comuns.

O livro Utopia é dividido em duas partes, fora o prefácio e a conclusão. No prefácio, somos induzidos a acreditar que Thomas escreveu o livro para presentear Pierre Guilles, um amigo que havia conhecido recentemente e por quem adquiriu grande estima. A primeira parte do livro recebeu o nome de Discurso de Rafael Hitlodeu, o homem que será responsável por narrar as características da sociedade utopiana. Thomas conheceu Rafael através de Pierre que os apresentou. Rafael é um aventureiro, que abandonou toda a sua fortuna para os parentes em troca de viajar pelo mundo conhecendo pessoas e culturas. Logo os três tornam-se grandes colegas de discussões.

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Nessa primeira parte do livro, eles discutem sobre a forma de governo imposta pelos países europeus ao mesmo tempo em que os compara com outro sistema utópico e justo. Rafael culpa os grandes comerciantes de lã e alimentos da época pela desvalorização do pequeno agricultor, pois este, sem mais funções na sociedade, vai para as cidades e tornam-se vítimas da marginalidade. Então o ponto crucial da discussão é: qual seria a melhor forma de reintegrar esse marginal à sociedade, ou até melhor, evitar que eles surjam? Depois de uma rápida exposição do que seria a terra de Utopia, por onde Rafael andou, entraremos na segunda parte do livro, onde ele narrará as coisas que tanto o encantou. Esta é dividida por tópicos, onde o aventureiro Hitlodeu descreve cada característica de Utopia. Primeiro somos apresentados a forma como os cidadãos utopianos trabalham nos campos e nas cidades. O trabalho agrícola é obrigatório para todos por lá, inclusive a cada dois anos eles precisam prestar serviços agrícolas ao governo, algo que fazem com o maior prazer. Os utopianos cultivam de tudo e nunca lhes faltam alimentos nas cidades, e quando faltam, outras cidades são responsáveis por suprir a necessidade. Enquanto isso, nas próprias cidades, as construções são bem planejadas e fluídas, e as casas sorteadas a cada dez anos entre os moradores, já que lá não existe bem privado. Há uma competição saudável para ver quem possui o mais belo jardim, o que acaba enchendo a cidade de flores. Os hospitais são bem equipados, nunca faltam médicos ou remédios necessários aos doentes. Na questão política, somos apresentados aos Sinfograntes, um magistrado eleito por cada família que tem como papel fundamental a resolução dos problemas dos cidadãos para com o Senado. Há também a eleição de um príncipe vitalício, geralmente uma pessoa letrada e repleta de virtudes. O mais interessante na política utopiana é o fato de que lá há uma lei que proibi discussões políticas fora das assembléias.

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Uma das partes mais interessantes no livro é a “Artes e Ofícios”, onde há a ênfase para o costume de aprender a agricultura desde a infância. Também são comentadas as vestes dos utopianos, geralmente muito simples, e diferentes apenas no sexo e idade, e lá também não há a venda, cada família confecciona suas próprias roupas. Os principais ofícios entre eles fora a agricultura é a tecelagem de lã ou linho, e ofícios manuais como pedreiro, carpinteiro ou ferreiro. Os utopianos são pessoas muito humildes, que não valorizam as pedrarias e metais como as demais sociedades, tanto que o ouro de lá é usado para as correntes dos escravos. A rotina deles é dividida entre o estudo, uma hora pelo amanhecer, o trabalho, geralmente seis horas do dia e as refeições e o lazer, que tomam o restante. Em relação ao estudo, apenas estudiosos letrados dedicam-se exclusivamente a ele, ficando até isentos dos trabalhos agrícolas e outros ofícios. Apesar disso, a educação é algo para todos e muito valorizada pelos cidadãos. Dentre os letrados de Utopia, se escolhe o príncipe. A parte de relacionamentos entre os utopianos também é muito interessante.

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Rafael descreve perfeitamente como é a subordinação entre os membros de uma família. As mulheres são submissas aos homens, e os mais novos aos mais velhos. O líder é sempre o membro mais velho e ele é responsável por nutrir as necessidades da família escolhendo alimentos e outras coisas nos mercados públicos. Na questão da população das cidades, elas nunca podem crescer demais ou de menos, cidades com excedentes de pessoas precisam doar cidadãos para cidades com penúria. No horário das refeições, há um grande sinal sonoro para que todos se reúnam em um banquete com abundância em alimentos e música. É o momento de lazer após as horas árduas de trabalho. A carne servida nesses banquetes é de animais sacrificados por escravos, já que o sacrifício é visto pelos utopianos como uma prática que pode corromper a humanidade deles. Outra parte interessante é a que trata do cientificismo e da religiosidade dos utopianos, pois mesmo sendo de um povo isolado, eles fizeram descobertas dignas de grande viajantes nos campos da música, astronomia e filosofia, na ciência dos números e medidas.

Na questão da religiosidade, alguns cultuam os astros e a natureza, mas a maioria prefere cultuar um Deus supremo e único, outros até se sentiram atraídos pelos ensinamentos do cristianismo. A regra principal na religiosidade dos utopianos é: nunca ofender outra pessoa pela crença que ela apresenta. No mais, sabemos que os utopianos são pessoas que abominam a guerra e que mesmo que precisem entrar em uma, fazem de tudo para não terem perdas. Admiram as virtudes e os prazeres da alma, assim como a riqueza de seu povo mais do que a riqueza de seu governante.

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Ler a Utopia foi uma experiência interessante ao ponto de comparar a sociedade descrita no livro com a moderna, mesmo que Thomas More a compare com a Inglaterra do século XVI. Rafael Hitlodeu é um personagem fictício criado por More justamente para que ele pudesse criticar o sistema sem que fosse mal interpretado por quem quer que fosse ler a obra. Ao contrário da sociedade utopiana, a nossa é capitalista, e aqueles que mais trabalham em toda a sua vida, ironicamente são os mais esquecidos pelo Estado. O que mais me chamou a atenção foi o sistema jurídico dos utopianos, talvez se os Sinfograntes fossem implantados na gestão do nosso governo, os casos de injustiças ou atrasos na resolução dos problemas diminuíssem, ou seja, e eficiência poderia crescer extraordinariamente. Seria incrível se quando algum problema afligisse a nossa família, pudéssemos falar com esse tipo de magistrado, para que ele buscasse imediatamente a solução. Outro fator que me chamou a atenção foi o fato de entre os utopianos não existirem advogados, ou seja, cada cidadão tem a obrigação de se defender diante do Juiz, já que para eles, advogados são pessoas que “maquiam” as verdades.

No mais, seria incrível poder morar em um lugar onde nunca lhe falta nada e você sempre tem tempo para tudo, mas como sabemos, é praticamente impossível implantar o governo de Utopia nas sociedades atuais, principalmente porque vivemos em função do dinheiro.

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